Nuno Seixas: A música é um mundo de expressão de sentimentos

Augusto Sarmento - Estilo de vida
Reportajen : Constantino Savio
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"As nossas fraquezas também nos ensinam a crescer", Foto: Página Oficial de Nuno Seixas.

Díli (timorpost.com) – Nuno Seixas de Oliveira, conhecido no mundo musical como Nuno Seixas, é um jovem artista, compositor e cantor timorense. Com apenas 21 anos, escreveu mais de seis músicas, algumas das quais famosas que, na nossa opinião, penetram diretamente no coração dos apaixonados e dos que sofrem de amor.

O jovem é uma pessoa amigável, paciente, sorridente e, com a sua simplicidade, faz com que qualquer pessoa possa travar amizade com ele. Nuno Seixas estuda na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Faculdade da Educação, Artes e Humanidades, no Departamento de Língua Portuguesa.

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Quisemos entender a vida de um músico e obra do jovem Nuno Seixas.

Timor Post: Qual é o seu município de origem?

Nuno: O meu pai é de Dare e a minha mãe é de Aileu. Nasci em Díli, mas dizer que sou de Díli soa-me estranho, por isso prefiro dizer que sou de Aileu. Nós, os naturais de Aileu, chamamo-nos Modo-Metan.

TP: Pode contar-nos um pouco sobre a sua história e de como mergulhou no mundo musical?

Nuno: Sinto-me afortunado por ter uma família onde a maioria das pessoas sabe tocar e cantar. Por isso, a música começou a invadir o meu mundo desde a infância. Quando estava no sexto ano, em 2013, comecei a participar em alguns concertos na escola, mas apenas a tocar a guitarra, porque antigamente eu não era compositor, nem cantor.

TP: Qual é o motivo ou quem o inspirou a ser músico?

Nuno: A minha família é a minha inspiração. A música é o meu mundo. Para mim a música é o meu ‘elixir’, quando me sinto cansado, triste, contente, ouço música. É através da música que exprimo os meus sentimentos.

TP: Quem o ensinou a tocar?

Nuno: Sou autodidata, aprendi sozinho. Mas, há alguns anos descobri que o meu talento não evoluía, por isso decidi desenvolvê-lo como guitarrista no Departamento de Juventude Católica de Díli (DEJUCDIL) que agora se transformou na Comissão Juventude Católica da Arquidiocese de Díli (COJUCAD).

Foi no DEJUCDIL que aprendi técnicas de tocar a guitarra. Foi o lugar onde se formaram muitos jovens artistas. Depois de um período de aprendizagem com os seniores, encontrei naquela organização o espaço para ensinar jovens a tocar.

TP: Quando começou a escrever a música?

Nuno: Quando terminei o ensino secundário, em 2019. Desde então, não toco apenas guitarra, descobri outro talento: também tenho a capacidade de escrever letras de músicas.

Nuno Seixas escreve a sua história através da música

TP: Como encontrou este novo talento de ser compositor?

Nuno: Para mim escrever a música é uma forma de exprimir os meus sentimentos, as minhas dificuldades, as minhas memórias. Na UNTL, a disciplina de que mais gosto é a de literatura, por isso a literatura também constitui uma parte fundamental no meu desenvolvimento pessoal enquanto letrista de músicas.

TP: Qual foi a primeira música que compôs?

Nuno: A primeira música foi a Domin pasiénsia, Amor e paciência. Na altura formei, com uns colegas, uma banda que se chamava Laku Ten, e aquela primeira música foi também a minha primeira para a banda.

TP: Porque decidiu escrever a música Amor e paciência?

Nuno: No amor é preciso paciência. Para ganhar o coração de alguém também é preciso paciência.

TP: No início da carreira de certeza que encontrou dificuldades. Como as enfrentou?

Nuno: Para mim, a primeira coisa a fazer é ter uma mentalidade apropriada. Sempre enfrentei críticas às minhas músicas, especialmente  negativas. O que se deve fazer é ignorar as críticas negativas mesmo que nos afetem. Tentei tratar as críticas negativas com um olhar positivo para poder aprender com as pequenas lições que se aprendem via críticas. Os nossos críticos e detratores são bons fornecedores de conhecimento. Por isso eu digo: não se sintam envergonhados de fazer o que vos faz sentir felizes.

Êxitos de Nuno Seixas

TP: Pode explicar-nos um pouco sobre as duas famosas músicas que saíram recentemente?

Nuno: Chamam-se Música ne’e ba ó (Esta canção é para ti) e Dala ida tan ba ó (Outra vez para ti). A segunda música é a continuação da primeira. Comecei a escrever estas canções em 2020. Fui inspirado pelas histórias de alguns dos meus amigos, mas não podia publicar as músicas, porque ainda não sentia o que eles sentiram.  Alguns anos depois, depois de passar por experiências semelhantes à dos meus amigos, decidi alterar alguns aspetos daquelas canções para ulteriormente publicá-las. E fi-lo.

TP: Qual é a história destas músicas famosas?

Nuno: A Música ne’e ba ó conta a história de uma pessoa que te fez sofrer, que te traumatizou e que te deixou sozinho e a segunda parte, Dala ida tan ba ó, é a continuação, porque depois de a pessoa te ter deixado, esforçaste-te, em solidão, para curar as feridas do coração. Quando te sentes curado, descobres que a pessoa que te deixou está arrependida e quer voltar para ti. Por isso, no refrão da segunda música escrevi: onde estavas durante este tempo, onde foste, porque é que afinal queres voltar?

Ainda tem uma terceira parte que está na fase de edição e será publicada nos próximos meses. Será a Ikus ona ba ó (último para ti).

TP: Quais são as histórias que considera mais interessantes para compor uma música?

Nuno: Uma das minhas músicas chama-se Sentido. Escrevi-a para duas pessoas que estejam prontas para terminar a sua relação. Uma vez, uma mulher contou-me a sua história que achei interessante, mas não tinha ideia de como escrever uma música através daquela história. A letra da música agora exprime a história: um dia, uma mulher convidou-me para acompanhá-la à procura do seu marido.  Encontrámos o homem e descobrimos que ele está feliz com outra pessoa. E pergunta-se à mulher ‘Porque não te quer afastar dele? Ela responde, mostrando a sua aliança e diz: estamos casados’. Nesse momento, imaginei os olhos de tristeza daquela mulher, senti que podia mergulhar no seu mundo e escrever uma letra.

TP: Como tem sido o apoio da sua família?

Nuno: O apoio da minha família é máximo! Num dos meus primeiros concertos, a minha mãe assistiu. O meu maior sucesso é fazer a minha mãe sorrir e ela ficar orgulhosa de mim.

TP: Qual é o seu maior sonho?

Nuno: O meu maior sonho é um dia ser um grande escritor. Depois de terminar a minha licenciatura em língua portuguesa, quero continuar o mestrado em letras.

TP: Queres deixar algumas mensagens?

Nuno: Sim, aos jovens: não percam a esperança. Aprender é muito importante. Tentem pôr em prática o que aprenderam, pois há muitos olhos e ouvidos que querem ver e ouvir o vosso talento.

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