Um grande amor o vento não leva, a distância não separa e o inimigo não destrói

Mario da Costa - Estilo de vida
Reportajen : Constantino Savio
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Nevis Fonseca Gomes e Margaretha Hendrians Gomes

Tecnologia. Internet. Redes sociais. Inteligência artificial. A era global tem trazido formas inovadoras que mudaram o modo como as pessoas comunicam e se relacionam. Por um lado, é cada vez mais fácil o acesso à informação, por outro, é cada vez mais difícil a seleção da informação. As relações humanas tornaram-se frágeis e consomem-se rapidamente neste tempo sem tempo a perder. Tudo é rápido: as refeições, a informação, o trabalho, o tempo em família, o amor. E nada é suficiente.

Esta era da globalização é também a era da compensação. As refeições rápidas são compensadas com suplementos alimentares, a informação é compensada com a partilha de notícias sem credibilidade, o trabalho é compensado com horas extra, o tempo em família é compensado com bens materiais e, por fim, o amor é compensado com formas para fugir da realidade, ou com o seu próprio fim.

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No entanto, aquilo que para muitos são obstáculos, para outros são as forças e as energias para ultrapassar as tentações de uma vida rápida, que devora o tempo.

Nevis Fonseca Gomes e Margaretha Hendrians Gomes cultivaram durante os seus quase seis anos de relacionamento formas e estratégias que provam a superação das dificuldades que foram surgindo no seu caminho.

Conheceram-se em 2015, quando entraram na Universidade de Díli (UNDIL). Ambos estudavam Direito.

Apesar de terem as mesmas aulas, Thá (nome estimado de Margaretha) não sabia que a pessoa que se tornaria o amor da sua vida também estava lá. Nevis confessou que gostou da Thá desde a primeira vez que a viu e, recorda, buscava sempre uma oportunidade para apreciar a sua beleza enquanto estavam na sala de aula. Este hábito, ainda que discreto, não levou muito tempo até ser revelado, porque os amigos perceberam o que é que Nevis “estava a tramar”.

Como sabias que o Nevis gostava de ti? Thá responde: “no modo como olhava para mim”.

“Às vezes, quando a Thá olhava para trás, direitamente nos meus olhos, ficava perdido e desviava o meu olhar”, disse Nevis, com um sorriso no rosto.

Eles são pessoas que vêm de mundos diferentes. Cada um com o seu caráter. Nevis, de Manatuto, é calmo, pacífico, bondoso e paciente. Ao contrário da Margaretha, que vem de Lospalos, que é ativa, gosta de conversar e tem facilidade em relacionar-se com todas as pessoas.

As diferenças afastavam os dois, a ponto de se tornarem rivais na sala de aula. Os confrontos verbais entre os dois aconteciam quase todos os dias. O ambiente na sala tornava-se pesado, até para professores e colegas. Margaretha não aguentava mais e quis mudar de faculdade. Uma das soluções, por vontade da mãe, era Kupang, na Indonésia.

De rivais a amantes

“Como é que rivais se tornam amantes?”, é uma pergunta a que ainda hoje eles não conseguem responder mas, para Nevis, “a rivalidade desmorona-se quando o sentimento entra em ação”.

Com o passar do tempo, os bate-bocas em sala de aula foram dando espaço para conversas mais amigáveis, o que permitiu que ambos se conhecessem melhor. Não tardou para que começassem a se encontrar também fora do ambiente universitário.

No dia 27 de abril de 2015, começaram a sair. O sentimento já estava presente, porém acreditavam que não estavam destinados a ficar juntos. O clima de descrença levou a que se afastassem nos últimos meses de 2015.

Durante sete meses, eles tiveram de atuar como estranhos, mesmo que, no fundo do coração, ainda estivessem enamorados. “É um período de confronto entre o coração e a mente”, conta Nevis.

Confessaram que foi um período difícil, com muita dor, mas aprenderam muitas coisas, sobretudo no desenvolvimento pessoal. Amadureceram, aprenderam a criar limites e a saber reconhecer os erros.

Alma Gémea

Margaretha já tinha perdido a esperança de que um dia voltariam a estar juntos. Mas Nevis, confiante nas suas orações, acreditava que “Jesus vai trazê-la de volta”.

No início de 2017, sem que estivesse à espera, entrou no telefone do Nevis uma mensagem da Thá. O coração começou a bater mais forte com a curiosidade de saber o conteúdo da mensagem. Quando abriu a mensagem, o que apareceu foi “Happy New Year”, uma mensagem de felicidade e, ao mesmo tempo, um sinal do que seria o primeiro passo voltarem um para o outro.

Três meses de uma reaproximação que serviu quase como uma terapia. Comunicar. Pôr tudo em pratos limpos. Confiar. Thá conta que foi uma fase de muita paciência e de coragem. “Para manter viva uma relação, é preciso o esforço de ambas partes e deixar de lado o egoísmo”, disse Margaretha. No dia 27 de março de 2017, reataram e nunca mais se largaram.

Nevis sabe hoje que nunca pode deixar os problemas afetarem a sua relação. Para o jovem, a melhor forma de dormir bem é não deixar os problemas de hoje para o dia seguinte.

Para Nevis, sentir-se culpado por resolver um problema é melhor do que viver com esse mesmo problema.

O casal passa mais tempo juntos do que com as respetivas famílias e amigos. Preocupam-se sempre um com o outro. “Enfrentamos cada dia como se fosse o último neste mundo. Por isso, aproveitamos sempre todas as oportunidades para tornar cada dia especial”, disse Margaretha.

Além de serem namorados, são amigos, amantes, colegas e conselheiros. Vivem ao ritmo a que a vida os leva. Sem pressas. Sem compensações.

Não fogem, no entanto, do mundo das redes sociais, partilhando de modo consciente, mas destemido, momentos marcantes.

Casal de jovens conheceu-se no curso de Direito/Foto: arquivo pessoal

Terminaram o ensino superior com o grau de licenciatura em Direito e agora estão a frequentar a formação para oficiais de justiça. Sentem-se prontos para as etapas seguintes de uma vida que não querem que seja fugaz. “Não morras cedo, por favor!” exclama Margaretha para Nevis, confessando que está muita orgulhosa de ter um homem como Nevis.

A jovem destacou que “a riqueza e as coisas materiais, nós até podemos comprar, mas um verdadeiro homem é muito difícil de encontrar”. Inspirados pela sensação do primeiro dia que conheceram, seguros de tudo o que aprenderam, desejam que este sentimento perdure “até que a morte nos separe”. Nevis garantiu que está previsto fazer um pedido oficial aos pais da Margaretha no final deste ano.

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