Nurima Alkatiri: Desigualdade de Género no Mercado de Trabalho Mantém-se

Timor Post - Cultura · Justiça · Nacional
Reportajen : Cesário Sousa
Editor : Equipa CLJ
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Nurima Alkatiri

Díli (pt.timorpost.com)– A deputada da Fretilin Nurima Alkatiri lamentou o facto de as mulheres timorenses continuarem a ser alvo de discriminação, incluindo no mercado de trabalho.

“No Dia Mundial das Mulheres, com traje de cerimónia, fazemos vários discursos, mas não nos podemos esquecer de que as mulheres e as jovens timorenses continuam numa situação de sobrecarga devido à desigualdade de género e discriminação no mercado de trabalho. Além disso, as mulheres não têm oportunidade de desenvolver a sua capacidade intelectual. Não existe uma distribuição proporcional das tarefas domésticas entre homens e mulheres, pois as mulheres assumem mais carga de trabalho do que os homens”, afirmou a parlamentar, no plenário da segunda-feira (04/03/2024), no Parlamento Nacional.

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Segundo Nurima Alakatiri, estes fatores também impedem as jovens de aceder às atividades económicas, dificultando o seu acesso a um emprego digno e melhor, o que tem mantido o ciclo da pobreza no seio da população.

“O Dia Mundial das Mulheres não tem apenas como objetivo celebrarmos a vitória das mulheres lutadoras, mas também fazermos uma reflexão para analisar os desafios enfrentados pelas mulheres”, defendeu.

A deputada relatou que, em Timor-Leste, o número das jovens desempregadas é maior do que o dos jovens, “sendo uma disparidade muito preocupante”. Considera, por isso, o Dia Mundial das Mulheres como “ponto de partida do empoderamento das mulheres para reduzir a taxa de desemprego nas jovens”.

“O desemprego é um assunto preocupante no nosso país. Segundo o relatório da pesquisa da força laboral de 2021, cerca de 12 mil pessoas (5,1% da população) são desempregadas, procurando trabalho, mas sem sucesso. Os dados mostram ainda que 5,9% das mulheres e 4,6% dos homens são desempregados. Estes dados revelam um quadro sombrio e o desemprego nos jovens é um desperdício de recursos”, afirmou.

Destacou, como tal, a urgência de o Estado investir mais nos setores-chave, garantindo melhores condições de trabalho, para que “os jovens possam viver no seu próprio país, gozando do seu direito ao bem-estar e a uma vida digna”.

A deputada recordou ainda o compromisso do atual Governo de criar 50 mil postos de trabalho durante o mandato, criticando, contudo, a falta de medidas concretas para a realização da promessa.

“Qual é a política para garantir que as jovens tenham acesso a uma condição equitativa na formação e no trabalho? E quais são os programas para eliminar a disparidade entre homens e mulheres? Segundo a nossa observação, não existem programas específicos do atual Governo para a criação de emprego, além do envio de jovens para o estrangeiro”, afirmou.

Criticou ainda os sucessivos Governos por não conseguirem resolver os problemas dos jovens, apesar de 16 mil milhões de dólares do Fundo Petrolífero já terem sido retirados dos Cofres do Estado para o desenvolvimento do país. “Os jovens continuam a enfrentar a mesma dura realidade”.

“Temos de agir de forma séria e imediata, não podemos ficar à espera que a situação melhore sozinha. Todos os dias, há jovens que vão para o estrangeiro à procura de uma vida melhor, com a esperança de ajudar a melhorar a economia da sua família. Apreciamos os esforços destes jovens, mesmo que seja uma realidade triste, porque o nosso Estado continua a não criar condições para garantir postos de trabalho no país”, concluiu.

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