A realidade dos ciclistas em Timor-Leste: benefícios, riscos e falta de incentivo por parte do governo

Augusto Sarmento - Nacional
Reportajen : Joana Silva
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“Seria importante que o governo criasse ciclovias para nos ajudar a circular em segurança”, diz o vendedor ambulante José Lopes/Foto: Joana Silva (Timor Post)

Díli (timorpost) – Apesar de Timor-Leste não celebrar oficialmente o dia internacional da bicicleta, a 3 de junho, o Timor Post aproveitou a ocasião para falar com dois jovens timorenses ciclistas que costumam deslocar-se diariamente em Díli, ainda que com propósitos diferentes.

A Organização das Nações Unidas (ONU) criou a data em 2018, com o objetivo de promover o uso da “bicla” para atividades de lazer ou desportivas e, sobretudo, enquanto meio de transporte, sendo uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável. Com a iniciativa, a ONU pretende educar o público para pensar em medidas capazes de solucionar problemas globais, sobretudo a mudança climática.

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David Cabral, 27 anos, jornalista da Tatoli, disse que decidiu começar a andar de bicicleta em 2021, porque a microlete N.º 9 é difícil de apanhar. “Cheguei a esperar durante duas horas para conseguir entrar na microlete. Por fim, chegava quase sempre atrasado ao meu local de trabalho ou à universidade”, contou.

Segundo a experiência do jornalista, andar de bicicleta traz vantagens para a saúde. No seu dia a dia, já não se preocupa em arranjar tempo para fazer exercício físico. “Porém, às vezes, não me sinto seguro ao pedalar, porque há motas e carros que andam em excesso de velocidade e provocam acidentes”, disse David.

O jovem jornalista afirmou que já teve algumas quedas de bicicleta, a maioria, contou entre risos, porque arrisca demasiado em “manobras freestyle, ou a subir e descer escadas”. No entanto, já apanhou alguns sustos na estrada, devido às buzinas das motas e dos carros, chegando mesmo a cair. Houve ainda uma ocasião em que foi atropelado por uma mota, quando tentava passar para o outro lado da rua.

Sobre a importância de usar a “bicla” em Timor-Leste, David Cabral acha que é fundamental os cidadãos aderirem a este meio de transporte.

“Na nossa terra, as pessoas deviam recorrer à bicicleta como meio transporte diário, para ajudar a diminuir as emissões de dióxido de carbono (CO2), que têm origem no fumo dos meios de transporte motorizados e das máquinas. Esta mudança nos hábitos dos cidadãos iria contribuir também para um ambiente saudável e para a melhoria da saúde pública. Além disso, é mais seguro andar de bicicleta, se compararmos com outros meios”, concluiu.

Também José Monteiro Lopes, 23 anos, vendedor ambulante, aderiu à bicicleta no ano passado, para facilitar a mobilidade na capital e transportar objetos para vender, como recargas de telemóvel (pulsa), cigarros, água, bolachas e máscaras.

“Todos os dias, de manhã, saio da minha casa, em Balide, com os produtos que vou vender organizados em cima da bicicleta. Faço o percurso de Lecidere e Palácio do Governo e vice-versa”, contou.

Em relação a acidentes, o jovem contou que vivenciou um episódio no ano passado, quando foi atropelado por um carro em Balide. “O acidente não foi grave, mas, ainda assim, seria importante que o governo criasse ciclovias para nos ajudar a circular em segurança”, observou José.

A ciclovia é uma faixa destacada numa rua, avenida ou estrada, cujo uso é exclusivo para bicicletas. Nela, carros e motas, entre outros veículos, não têm autorização de circular.

Em resposta às preocupações do vendedor, a ideia que alguns elementos da Direção Nacional de Transportes Terrestres (DNTT) partilharam foi a de que não há orçamento e muito menos planos para criar ciclovias.

Enquanto isso, os ciclistas de Timor se-Leste seguirão, corajosos e cheios de vontade, a pedalar debaixo de sol e chuva pelas ruas estreitas, barulhentas e movimentadas do país, desviando-se dos muitos buracos e veículos motorizados que se acumulam pelo caminho.

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