Diretor do PRADET: Tratamento de problemas mentais nos centros de saúde “cada vez mais ineficaz”

Timor Post - Nacional · Saúde
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Díli – O Diretor do Programa para a Recuperação e Desenvolvimento Psicossociais em Timor-Leste (PRADET, em inglês), Manuel dos Santos, considera que o trabalho dos profissionais de saúde timorenses na área da doença mental é cada vez “mais ineficaz”, não permitindo uma recuperação psicológica célere dos pacientes.

De acordo com o diretor, os utentes da casa de abrigo de Laclúbar, no Município de Manatuto, têm mostrado progressos significativos na recuperação, ao contrário dos que estão nos centros de saúde.

“Há muito tempo que o nosso Ministério da Saúde (MS) utiliza o mesmo medicamento, de primeira geração, para o tratamento das pessoas com problemas mentais, o que não ajuda muito na sua recuperação. Já o Centro de Internamento de Laclúbar, dirigido pelo missionário de São João de Deus, aproveita um fármaco de segunda geração, mais avançado, para os cuidados destes cidadãos e notam-se progressos significativos”, disse o diretor, na passada sexta-feira (18/12), no seu local de trabalho.

Manuel dos Santos recordou também que o tratamento dos pacientes na Casa de Abrigo de Laclúbar é intensivo, tendo uma duração de um a seis meses.

“Após o tratamento, podem voltar às suas famílias, levando consigo uma série de medicamentos. Contudo, quando acabam os fármacos, vão aos centros de saúde e recebem os da primeira geração, que não vão fazer efeito”, afirmou.

O responsável pediu, como tal, ao Ministério da Saúde que revisse os procedimentos relativos ao tratamento das doenças mentais, sobretudo no uso de medicamentos que possam garantir e contribuir para a sua recuperação.

Segundo o responsável, o PRADET registou, em 2020, cerca de 266 pessoas com distúrbios mentais, sendo que mais de 90 estão sem qualquer tratamento e vivendo na rua, 150 foram identificados durante a visita de saúde familiar nos municípios e 26 transferidos por outros parceiros.

Já a Diretora Nacional do Controlo de Doenças, Josefina Clarinha João, disse que o medicamento de primeira geração ainda é eficaz no tratamento de pacientes com problemas mentais, sendo, como tal, mantido.

“Temos de ver os progressos dos pacientes. Se os resultados são bons, mantemos o seu uso. O tratamento das doenças mentais não cabe apenas aos centros de saúde, mas sim a todas as entidades, sobretudo à família, porque esta é a ‘clínica’ mais adequada para pôr termo a problemas mentais”, concluiu. (res)

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