DÍLI- O Diretor da Fundação Klibur Domin, Joaquim Freitas Soares, afirmou, no âmbito do Dia Mundial da Tuberculose, que o programa de rastreio desta doença infeciosa está suspenso na instituição desde o surgimento do primeiro caso de covid-19 em Timor-Leste.
“Faz agora um ano que foi suspenso. Por isso, o número de diagnósticos de tuberculose registou uma quebra. Antes do aparecimento da covid-19 em Timor-Leste, trabalhávamos melhor. Contudo, entre 2020 e 2021, enfrentamos muitos desafios, pelo que fomos forçados a parar as atividades de rastreio da doença”, disse o dirigente, à jornalista do Timor Post, via telefone, esta quinta-feira (25/03).
Segundo o dirigente, 90% dos casos de tuberculose no país são detetados por esta fundação.
“O rastreio da tuberculose está totalmente parado. Este cenário poderá fazer com que aumente o número de doentes que sofrem desta doença infeciosa. Ao contrário da covid -19, que ainda não provocou nenhuma morte, a tuberculose já matou inúmeros timorenses”, alertou.
Mostrou-se igualmente preocupado com a falta de equipamentos no laboratório para efetuar o teste da tuberculose, o que condiciona toda a atividade laboratorial.
Segundo o responsável, desde o mês de fevereiro deste ano, a fundação tem, contudo, trabalhado em parceria com o Ministério da Saúde para o lançamento do programa que visa erradicar a doença contagiosa da tuberculose, em Ataúro.
Questionado sobre o número atual de doentes internados nesta fundação, o responsável referiu que estão atualmente 30 pacientes.
Apesar da suspensão do rastreio por parte da Klibur Domin, o Diretor Clínico do Hospital Nacional de Guido Valadares (HNGV), Flávio Brandão, disse que Timor-Leste registou neste último ano um número elevado de casos de tuberculose.
“O número de doentes com tuberculose no país é elevado. As pessoas com tuberculose são vulneráveis e estão em risco de contraírem outros vírus. Fazemos o teste para o diagnóstico de doentes com esta patologia no hospital. Caso tenham sinais desta doença, daremos maior atenção e não nos focamos apenas na doença da covid-19”, afirmou.
Flávio Brandão garantiu ainda que o HNGV pode receber doentes de tuberculose.
“Temos lugar para assegurar o tratamento da tuberculose em Tíbar, ao contrário da fundação [Klibur Domin], que sofre de falta de espaço para mais doentes. O HNGV está, neste momento, a estudar a hipótese de transferir os doentes com multirresistência à tuberculose, para outras locais”, sublinhou.
Recorde-se que, segundo dados apresentados pelo representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Timor-Leste, Arvind Mathur, a incidência da tuberculose em Timor-Leste é das mais elevadas no Sudeste Asiático, percentagem que afeta a produtividade do país.
“Esta doença faz com que o crescimento económico seja muito lento e as famílias caiam para níveis abaixo da linha da pobreza”, disse Arvind Mathur, a 08 de fevereiro, no Hotel Novo Turismo, em Díli.
De acordo com o responsável da OMS, registam-se em Timor-Leste 498 novos casos por cada 100 mil habitantes. Os médicos reportam 6.400 novos casos por ano no país. No final de 2019, estimava-se uma taxa de cerca de 88 mortos por 100 mil habitantes. (isa)
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