Ambientalistas timorenses transformam lixo em produtos artesanais

Mario da Costa - Dili
Reportajen : Constantino Savio
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Jardim Domin Matak (JDM) - Foto: Necha Machado (CEIA).

Díli (timorpost.com) – Ao passarmos pela Avenida de Portugal, na Praia dos Coqueiros, especialmente em frente à Embaixada da China e em Kampung Alor, naquele lugar onde podemos ver toda a baía de Díli, com Ataúro no horizonte, encontrávamos também, na maioria das vezes, ervas e lixo. Agora, encontramos jardins bonitos, com cadeiras e mesas feitas a partir de pneus velhos.

Estas obras resultam da reciclagem de pneus e de objetos de plástico. O modo como são dispostos, formando um pequeno jardim, convida os que por ali passam a sentir a brisa do mar e a apreciar o esplendor da ilha de Ataúro a Norte, o pôr-do-sol a Oeste e o Cristo Rei no lado Este da capital.

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São dois os jardins à beira-mar plantados, como diria Camões: o Jardim Domin Matak (JDM), que se situa em frente à Embaixada de China, feito pela Brigada Ambiental; e outro em frente à Embaixada da Coreia, ambos resultado do trabalho de jovens voluntários, formados pela Brigada Ambiental. Neste momento, são alguns dos espaços públicos mais visitados em Díli, a par do Largo Lecidere e do Jardim de Motael.

A Brigada Ambiental é um movimento que teve início em 2020, no Centro de Educação e Informação Ambiental (CEIA), tutelado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, com objetivo de fazer ações de defesa ambiental.

Neste momento, à frente da Embaixada do Japão, encontra-se o novo jardim, inaugurado na sexta-feira (02/12), com o nome “Jardim Educação Ambiental”. Este é um dos projetos da Convenção de Estocolmo, que visa a redução da poluição ambiental, e é apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP), em parceria com a CEIA.

O novo jardim Educação Ambiental – Foto: Necha Machada (CEIA)

O projeto foi levado a cabo por 20 jovens universitários, que fazem parte da Brigada Ambiental, Limpeza Voluntária e Timor-Leste Youth Movement. São liderados por Zeferino Guterres, estudante da Universidade Nacional de Timor Lorosae.

Amenica Machado, Diretora-Executiva do (CEIA) explicou que hoje em dia Timor-Leste enfrenta muitos problemas ambientais, sendo a mudança climática um dos mais falados. “Um dos fatores que causam a mudança climática é a consciência humana”, afirma.

Segundo a diretora, além de se transformar o lixo em peças artesanais com uma utilidade prática, este tipo de projetos também ajuda os jovens e a comunidade a ter consciência dos problemas relacionados com o ambiente e a encontrar soluções para os resolver.

Em relação aos materiais utilizados, como tintas e pneus, produtos derivados do petróleo e que são nocivos para o ambiente, a diretora garante que “estes produtos são de boa qualidade e não se deterioram”.

Zeferino Guterres, explica que, em Timor, as pessoas não reutilizam os pneus usados, e acabam por queimá-los ou deixá-los na via pública ou em algum contentor do lixo. Não existe um regulamento para controlar este tipo de lixo e quem acaba por sofrer é a nossa atmosfera. Por isso, a cada fim de semana, os jovens ambientalistas percorrem as ruas da cidade e as zonas costeiras para recolher pneus usados.

Os ambientalistas reutilizam pneus usados – Foto: Necha Machada (CEIA)

Os que são úteis, transformam-nos em bancos ou mesas, os que não são, transportam-nos para Tibar, em Liquiçá, onde se encontra um dos maiores depósitos de lixo do país.

Sentado numa “cadeira de roda”, como lhe chamaram os timorenses, está um jovem, chamado Samuel de Jesus. De camisa branca, um copo de café na mão e cigarro na boca, disse com orgulho que “este lugar é adequado para refrescar a mente”.

“Apesar do ruído dos carros e das motas que interrompem a nossa concentração, a beleza do mar e o som do vento ajudam-nos a esquecer todo este movimento da cidade”, salienta Samuel.

O resultado destas obras não beneficia apenas os visitantes. Também os negociantes saem a ganhar com estes jardins, como Ermelinda da Costa, natural de Same, que vende café, cigarros, pulsa e comida no JDM.

Para Ermelinda, esta nova ideia de jardim favorece o negócio. “Estou muito contente, porque neste lugar posso obter muitos rendimentos. Num dia, posso ganhar entre 15 a 20 dólares”, conta com um sorriso no rosto.

O controlo e manutenção destes lugares é da responsabilidade da CEIA, que conta com o apoio das comunidades e dos comerciantes.

O ambientalista Zeferino apelou a todos os jovens timorenses para fazerem uma reflexão, citando uma frase de John F. Kennedy um dos presidentes dos Estados Unidos da América: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.

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